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    LINS: VOCAÇÃO TECNOLÓGICA?


    Por Flavio Jose
    16/11/2011

      

    André Fassa

    Leonides da Silva Justiniano

    (Docentes da Unilins e Consultores)

    Vocação é um termo que carrega forte conotação espiritual. Essa afirmação exige esclarecimentos. Primeiro, sobre o que se entende por “espiritual” e, segundo, o que essa espiritualidade representa no termo “vocação”.

    Atualmente, espiritual não se resume mais, tão somente, a um significado místico ou religioso. Espiritual diz respeito, também, a uma dimensão humana que vai além da mera existência individual de um sujeito. A dimensão espiritual refere-se àquilo que uma pessoa transmite aos outros, à humanidade, à história como sua contribuição insubstituível, sua marca, seu legado. Pode-se falar, no âmbito organizacional, que a espiritualidade vincula-se à missão e à visão de uma empresa. Por exemplo, a Apple é a Apple devido ao espírito de Steve Jobbs que, mesmo após a morte deste indivíduo, continua impulsionando toda a empresa e deixando uma marca indelével na própria história humana.

    Vocação já é um termo que, derivando do latim, significa “chamado”. Não uma predestinação, mas uma propensão, uma forte tendência. Há que se discutir, porém, se essa tendência é apenas descoberta ou se ela pode ser construída. É o que se chama de indução ou “vocação induzida”.

    Voltando o olhar para Lins, é o caso de se perguntar: “Qual sua vocação, originalmente?” “Qual pode ser sua vocação (induzida), hoje?”

    Sem sombra de dúvida que agricultura, pecuária, agronegócio, em geral, seria uma boa resposta à primeira questão. Mas, para a segunda questão, a resposta exige empenho – justamente, o empenho indutivo.

    Lins encontra-se, e já de há algum tempo, em face da necessidade de forjar novos caminhos. Lins deve se perceber como uma cidade (e região) que pode desenvolver-se como polo tecnológico. Não uma tecnologia reduzida a pirotecnias robóticas, mas uma tecnologia compreendida em toda a sua extensão, o que inclui tecnologia social e a pesquisa em novas fontes de energia renovável, sustentabilidade, enfim. Desenvolver

    as bases para esse novo arranjo já existem, necessitando, apenas, de alavancagem: hidrovia, rodovias, ferrovia, aeroporto, porto seco, posição estratégica em relação a três Estados... Empresas nacionais e multinacionais buscam por oportunidades semelhantes e serão atraídas para a região se reconhecerem que essa região está assumindo um perfil inovador e revolucionário, antecipando um futuro que não pode mais ser evitado.

    O espírito empreendedor, que outrora lançou a cidade (e região) de Lins no cenário nacional (quiçá mundial), ainda persiste, mas precisa ganhar fôlego e espaço para se expressar. Falar de vocação é, de certo modo, olhar para o passado; falar de vocação induzida é olhar para o futuro.

    Para o desenvolvimento de regiões criativas torna-se necessária a criação de instituições que favoreçam o surgimento dessas novas idéias, tecnologias e negócios. Dentre essas instituições destacam-se as incubadoras de empresa, parque tecnológico, entre outros, os quais permitem o surgimento de novos empreendimentos, além de estimular a difusão do espiríto empreendedor.

    Lins, polo tecnológico: essa a sua (nova) vocação.

     


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